|
Sabe o que fiz assim que saíram os resultados da eleição? Fui fuçar no site do TSE, espiar o nome dos candidatos. Você já imaginou um deputado chamado Fufuca? Ou Fixinha? Petecão? Pois eles existem, foram eleitos pelos maranhenses, gaúchos e acreanos, respectivamente. O que não é nenhuma surpresa num país onde o presidente sobe no palanque para afirmar que “Se não tivermos sucesso, corremos o risco de fracassar”. Por essas e outras é que políticos são como fraldas, precisam ser periodicamente substituídos e pelas mesmas razões.
No Espírito Santo até que não tivemos candidatos com nomes muito exóticos. Dá para listar o Xandoca; o Pezim; o Gravatinha; o Bagu; o João Costela e, carinhosamente, os canela-verdes Genario Sanfoneiro, Chumbinho Mecânico, Jardel dos Idosos e Zé do Canil. Estranhos mesmo apenas o Neuto Nelio Noemeg, o 3N do Prona de Pancas e uma tal Nada do PSL, que teve, claro, nada de votos, zero. Se os capixabas não fizeram feio, no resto do país a coisa foi terrível. Teve nome de meter medo, como os dos mineiros Tião Medonho, Waltinho Carabina e Sargento Peludo; dos brasilienses Geraldo Barra Pesada e Magal Exterminador ou os da dupla gaúcha Lobisomem e Iracema Bofe. Fora Gersa Canhão; Siloel, o Bomba; Chico Doido; Maria Bala; O Cangaceiro; Bonequinho Vil e o apocalíptico Fome. Apareceram também nominhos bem nojentos: Preca e Meleca do Piston, em Pernambuco; Pedro Chulé e Jorge Cata Lixo no Rio; Futy, em Minas; Peidim, no Ceará e Kaganeira, no Acre. Esse último usou, juro, o sugestivo slogan “Se é pra fazer merda...”
Nomes reais esdrúxulos encontrei aos montes. Vejam alguns: Uque; Diarlhes Pider; Ragosino; Iduigues; Gêrdo; Ariolinda; Xerfan; Isselânia; Uthania; Naçoitan; Mêrla; Arleudo; Clistene; Ucha; Franesi; Polistezuk; Cesinay; Lholha; Meroveu Parrião; Moésio; Gony; Herneus de Nadal (o deputado mais votado de Santa Catarina), e o carioca Diano, cuja plataforma era “Velório a um real!” Isso sem contar um certo Jimmy Mofa; o Pudim do Garotinho; o paraibano Alan Delon; o piauiense Robywood; Erroflyn, petista candidato a governador do Amapá ou o inacreditável Osvaldo Garotão Buskei, do PTC do Paraná.
Apelido choveu, claro. Uns engraçados, outros fofinhos, a maioria tendendo ao ridículo: Dudu Uga-Uga; Washington Quá Quá; Zezinha Fifiu; Bimbim; Lila Lá; Fon Fon; Cachipitty; Ring Box; Hié-Hié; Bob Gel; Célio Folgado; Danda Jiló; Regaço; Lalado; Pastor Pinduca; Zorinho; Zoião; Zoró; Pingueleta; Gargantinha de Ouro; Micharia do Mineirão; Jojoca; Cida Maluka; Zé Coador; Sabonete; Cabo Topó; Turco Loco; Bodão; Peixe Galo; Cotonete; Chico Bacalhau; Purê; Panela; Pedro das Mudas; Henrique Chinelão; Osmar Cabudo; Aldair Coisinha; Mazzaropi da Charrete; João do Ovo; Mikonga; Buzina; Teresa da Latinha; Vida Louka; Zé do Burro; Xiribita; Colesterol; Rita Tanajura; Johnny Guerra Gay; Professor Peru; Maria Rolinha; Chico Cancela; Joselito Mimoso; Zico Bronzeado; Bestene; Chiquim Nimin; Juarez Tatu; Chicoza; Xeroso; Caxapau; Lespa Missionário; a “família” Pai Careca, Arlete Mãe do Guilherme, Filho de Deus, Primo Preto e Vô Charqueada; o contraditório Gordo Salada, o baiano tarado Zé das Virgens e o galhudo assumido João Corninho, além do Rockeiro do PCB, candidato menos votado de São Paulo. Também, onde já se viu roqueiro comunista?
A galera “criativa” fez festa: Geraldinho, o Iluminado; Jair Visão de Águia; Toga, a Voz dos Excluídos; Chagas dos Alternativos; Poeta da Transposição; Ceguinho de Olho no Futuro; Darci Chutando o Balde. Nesse quesito, os mineiros se destacaram no horário eleitoral. João Rasgado, do PSOL, discursava na TV fazendo cara de mau e com a roupa toda rasgada. Tonyplay Kubistchek Rei do Gado tocava um berrante. Zói Bad Boy aparecia de costas, com o nome e o número raspados na cabeça, gritando “Abre os zói, Minas!”. São Paulo não ficou atrás, representada pelo Badeco, um cara muito feio que chegava dizendo “Meu nome é Badeco, eco, eco, eco! O candidato com mais eco que a concorrência, ência, ência, ência”. Em Brasília, um maluco chamado Marcão da Rodoviária se exibia de ponta cabeça. Na Bahia, Emanoel dos Aposentados saía de dentro de um caixão de defunto. Já o candidato do PTC ao governo potiguar, Xêque Humberto, se apresentava em trajes árabes prometendo... leite encanado! Mas o primeiro lugar nacional coube à carioca SuperZefa, que usava uma galinha na cabeça e o lema “”Em defesa das criança, dos idoso e dos ´nimal, Super Zefa pra Federal, número 7001, sete, dois ovo e um pau!”
E os slogans de campanha? Dedson Pinto (“Contra a corrupção, Pinto neles”); Guilherme Bouças (‘’Chega de malas, vote em Bouças’’); Lena, de Minas (“Tenha pena, vote na Lena”); Ninguém, de Pernambuco (“Não vote nulo. Vote em Ninguém”); Torto, paraplégico catarinense (“Vote certo, vote Torto”); Chimbica, do Paraná (“Se não sabe se vai ou fica, vote no Chimbica”); Ílson, do Rio (“Deixa dílson, pára com ílson e vote no Ìlson); Rei Momo, do DF (“Quem tem juízo vota no Rei Momo, quem não tem, também”); Pé, de Goiás (‘’Não vote sentado, vote em Pé’’) e a deliciosa Dinha, de Alagoas (‘’Tudo Pela Dinha’’).
Chega? Bem, teve o Clodovil declarando que não ficará passivo em Brasília, mas não vale, o Brasil inteiro já conhece. Melhor dar a vez para o mineiro Marcelo Guimarães, autêntico candidato suicida, que, em vez de adular o eleitor, espalhava chumbo grosso: “Tem candidato aí aceitando qualquer voto. Eu não, porque, se tem candidato que não presta, tem eleitor pior ainda!”
 |