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Passei anos reunindo pequenos causos acontecidos com nossos políticos e acho que chegou a hora de passar a coisa adiante. Políticos (ô racinha enervante!), são sujeitos que pensam uma coisa, dizem outra e fazem exatamente o contrário. Mas como eles adoram aparecer e vivem expostos aos holofotes, as besteiras que cometem acabam caindo na boca do povo. Embora sejam episódios ocorridos em várias épocas, mandatos e legislaturas, aviso que coloquei todos os verbos no tempo presente, para dar mais vibração na leitura. Apesar da omissão do nome dos “heróis”, aposto que o leitor mais atento não terá qualquer dificuldade para identificar quem é quem.
Um vereador morre assassinado. Ainda não se sabe quem é o autor do crime. Outro vereador, famoso pela inteligência curta, discursa indignado: “Temos que fazer o que for fazível para descobrir quem cometeu essa barbaridade e não será difícil descobrir não, porque parece que quem matou o morto foi seu próprio assassino!”
O mesmo inteligência-curta pede um aparte ao orador que ocupa a tribuna: “Vossa excelência desculpe, mas tenho que se me ausentar. É que moro num cotonete (quitinete) sem cozinha e preciso sair para almoçar antes que feche o serve-serve-se (self service)”.
O tema é polêmico e o plenário da Câmara, lotado, vaia sem parar quem quer que ocupe o microfone. Irritado, o Presidente toca a campainha várias vezes até obter silêncio. Aí, ameaça: “Se a manifestação continuar, eu evacuo!!!” A manifestação pára na hora.
Um ministro visita Vila Velha. O prefeito, grosseirão metido a galã, o leva para almoçar na Praia da Costa. Pede filé com fritas. A dona do restaurante sugere outro prato: “Algo típico da terra, como a moqueca. Filé tem em todo lugar, todo mundo come.” Contrariado, o prefeito solta os cachorros na moça: “Qual o problema em comer o que todo mundo come? Eu não teria nenhuma objeção em comer você só porque todo mundo come!”
Dias das Enfermeiras. Sessão solene na Câmara, o plenário lotado pelas homenageadas, todas em seus uniformes brancos. O vereador que requereu a sessão começa assim o discurso de saudação: “Eu sou médico e conheço bem o trabalho dessas moças abnegadas, que fazem maravilhas debaixo dos lençóis!”
Época de inflação desenfreada, antes do Plano Real. O candidato a prefeito discursa num comício em Terra Vermelha: “Uma galinha está custando mil cruzados! Imaginem! Quem pode comer uma galinha de mil cruzados?” Lá do fundo, um gaiato grita: “O galo!”
Desgostoso por não ter sido reeleito vereador, o fulano decide mudar para Nova York. Vai num dia e volta no outro, depois de tropeçar numa perguntinha corriqueira do questionário do serviço americano de imigração: “Você advoga a derrubada do governo dos EUA pela subversão ou pela violência?” Em vez do óbvio não, o fulano responde: “Pela violência.”
A mulher do prefeito compra cinco pares de sapatos e manda a conta, salgadíssima, para o gabinete do marido, que chega em casa pondo fogo pelas ventas: “Sua maluca! Como acha que vou justificar esse tipo de despesa? Ponho em que verba?” Para a mulher a solução é fácil: “Ora, querido, é sapato, não é? Põe na verba de calçamento.” Pior que ele põe!
Terminada a apuração para a Câmara de Vila Velha, a Rádio Espírito Santo entrevista ao vivo o campeão de votos: “É verdade, vereador, que o senhor é pai de oito filhos?” “É verdade sim, oito!” “Puxa, prole grande, né?” A resposta vem modesta: “Grande nada, tamanho normal! Uns 17 centímetros, no máximo!”.
Lá em Brasília, um senador capixaba recebe a notícia (falsa) de que um conhecido político negro havia levado um tiro no centro de Vila Velha. Preocupado, telegrafa a um amigo vereador: “Informe urgente se é verdade que beltrano foi alvejado”. O vereador responde com presteza: “Não. Ele continua preto.”
Além de político, o homem é advogado criminalista. Dos bons. Defendendo um acusado de estupro, ouve o promotor descrever como “o réu usou as duas mãos para segurar a vítima pelos ombros, impossibilitando qualquer reação”. Depois faz apenas uma pergunta: “Ilustre promotor, se as mãos do meu cliente estavam nos ombros da vítima, de quem era a mão que guiou o ceguinho?” Risadas gerais e absolvição garantida.
Deputado evangélico, cheio de nove-horas, ele janta com a família no Recanto Baiano. Chega a filha caçula, aos prantos: “Não sou mais virgem! Virei uma vaca! E a culpa é do pastor!” O restaurante inteiro fica em silêncio com a escabrosa revelação. Pai e mãe começam a se recriminar. A única a manter a calma é vovó, que pega ternamente na mão da neta e pergunta como aquilo aconteceu. Entre soluços, a menina responde: “O pastor me tirou do presépio! A Virgem agora é a Isabela, eu vou fazer a vaquinha!” Alívio geral.
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