Ter, 01 de Julho de 2008 09:24   
As relíquias sagradas

O pesquisador Jair Santos, grande conhecedor da história de Vila Velha, foi quem divulgou a descoberta de um documento de 1771 comprovando a existência de restos mortais de dois santos católicos, São Liberato e São Colombo, na pedra d´ara do altar da Igreja do Rosário, na Prainha. Existem muitas relíquias cristãs assim, espalhadas pelo mundo, mas nem todas são autênticas como as nossas, atestadas pelo cartório eclesial do Vaticano. Algumas são até pura vigarice.

Anos atrás, descobri numa livraria do Rio de Janeiro um grosso volume intitulado “Anuário Lusitano de 1910”. Entre outras curiosidades da época, o anuário registra a exótica coleção da exposição itinerante de relíquias sagradas que percorreu Portugal durante aquele ano com grande sucesso (e lucro), até a polícia prender o espertalhão que bolou toda a coisa, um tal de João Cunha, vulgo João Brasileiro. Ao ser interrogado, adivinhe o leitor que lugar ele deu como seu local de nascimento? Uma cidadezinha chamada Vila Velha, na então Província do Espírito Santo!  A maior parte do acervo é absurdamente hilária:

Porção de palha da manjedoura onde nasceu o Menino Jesus.

Raspa de sal da canela direita da estátua da mulher de Ló.

Unha do dedo incrédulo de São Tomé, cortada no dia que ele tocou as chagas de Cristo.

Um casal de minhocas mumificadas, passageiras da Arca de Noé.

Pena do galo que cantou três vezes anunciando a traição de Pedro.

Placa de cedro, com inscrição em aramaico, grego e latim, anunciando os preços da carpintaria de São José, em Nazaré.

Guardanapo de pergaminho com a marca de batom da boca de Salomé.

 

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