Qui, 01 de Julho de 2010 21:18   
O Zorro e a Odalisca

Tem milagre que só dá para contar falseando o nome dos santos, principalmente quando eles ainda estão vivos e vigorosos o bastante para quebrarem suas bengalas na cabeça da gente. Quem me passou esta história passou também o nome do casal, mas escondendo-se no anonimato, a pessoa pode correr o risco, coisa que eu não posso, até porque um dos filhos de Sílvio e Eunice (assim os chamarei), é um político capixaba muito conhecido e mais pela fama de brigão do que propriamente por seus raquíticos feitos parlamentares.

Quando aconteceu, não sei precisar. Pela idade atual dos protagonistas estimo que tenha sido em meados dos anos 60. De qualquer forma, parece que Sílvio e Eunice já tinham pelo menos dois dos três filhos, o que devia atrapalhar, mas não impedia que continuassem a levar uma vida social agitada para os padrões da época. Assim, como fazia todo ano, quando o carnaval foi se aproximando, Eunice mandou uma costureira fabricar uma fantasia de Zorro para Sílvio e outra de odalisca para ela, com direito a véu cobrindo o rosto.

Quando chegou o domingo de carnaval, eufórica com o baile do Golfinho (clube que ficava onde hoje é a Câmara de Vila Velha), Eunice passou o dia se arrumando, porém, lá pelas oito da noite as coisas começaram a andar para trás. Primeiro foi Jorge Gangorra que apareceu. O sujeitinho tinha esse apelido porque era tão chato que onde sentava, todo mundo levantava e Eunice tinha pavor de suas brincadeiras idiotas, só o suportando porque era o melhor amigo de Sílvio. Depois, como desgraça pouca é bobagem, tia Jandira mandou recado avisando do retorno da enxaqueca. Não ia dar para ficar tomando conta das crianças, como tinha prometido. O mundo veio abaixo. Sem babá, mixou o baile!

– Êpa, isso não! – berrou Jorge – Sílvio não pode faltar, ele é a alma da turma, o folião mais animado!

Eunice remeteu-lhe um olhar de raiva concentrada, mas o intrometido continuou botando pilha em Sílvio, que afinal se rendeu:

– É, morzinho, não tem jeito, eu vou, preciso ir. Você fica com as crianças.

Foi falando e tratando de colocar a capa e a máscara de Zorro. Fazer o quê? Com a revolução feminina ainda engatinhando, Eunice foi obrigada a suspirar conformada. Acontece que a vida não anda em linha reta. Duas horas depois dos marmanjos saírem, a enxaqueca de tia Jandira diminuiu e a velha apareceu, fiel ao compromisso assumido. Alegrinha, Eunice meteu-se nos véus de odalisca e correu pro Golfinho ao encontro do maridão. Só para levar um tremendo susto, ao dar com seu mascarado negro pulando abraçado a duas sirigaitas peitudas!

A primeira reação foi de raiva, vontade de rodar a baiana, mas acabou indo chorar no banheiro, onde uma amiga solidária ofereceu um copo de uísque, que ela virou de uma golada só. Encorajada pelo álcool, enxugou as lágrimas, enquanto destilava e aperfeiçoava a vingança: “Vou seduzir o Sílvio! Estou mascarada, ele não conhece minha fantasia nem sabe que eu vim. Chego perto, me insinuo, ele vai pensar que sou outra, dou uns amassos nele e aí tiro o véu e desço porrada!” Estratégia traçada, retornou ao salão, tomou mais uns dois ou três uísques e atacou o sem-vergonha. Para sua surpresa, foi muito mais fácil do que imaginou. Facílimo mesmo. No terceiro beijo, ele a arrastou para fora do clube, enfiando-se com ela num providencial vão de muro. Pega aqui, segura ali, Eunice já ia se revelar, mas uísque, amasso e vão de muro é uma combinação fatal. O álcool e a tesão embotaram seu raciocínio, ela relaxou (“depois eu brigo”), abriu as pernas e cráu! entregou-se à espada do Zorro. O duro foi que, mal acabou o serviço, o cretino caiu fora, deixando-a só e desnorteada.

De alguma forma conseguiu voltar para casa. Tomou um banho gelado, botou a camisola e ficou esperando. Já era dia claro quando Sílvio chegou, acabadão, maior cara de ressaca. Eunice caprichou no cinismo:

– E aí, morzão, divertiu muito? Tava bom o baile?

Sílvio atirou-se no sofá, jogando um sapato para cada lado:

– Baile? Que baile? Ah, o baile!... Acabei não indo. O Jorge me levou pra tomar umas biritas na casa dele, eu bebi demais e apaguei. O sacana me largou lá sozinho, vestiu minha fantasia, foi pro Golfinho e cê não sabe da maior, não é que ele conseguiu comer uma vagabunda vestida de odalisca!? 

 Não faço a mínima idéia de como a história caiu na boca do povo e chegou até meus ouvidos. Vai ver Eunice contou para tia Jandira, depois que voltou do desmaio. E velha, sabe como é, adora uma fofoca!

Todo mundo já está cansado de ver aquele comercial de cerveja em que um cara chato atende o celular de um amigo e sacaneia com a esposa do rapaz: “Tô na casa de um amigão, jogando um poquerzão e não vou agora não!” Pois agora inventaram a resposta da mulher: “Relaxa, amor.  Tô na casa da vizinha, tá rolando a maior festinha, vou chegar de manhãzinha e não vou dormir sozinha...”

Comentários [1]:
DANTON BALTAR VARAO escreveu em 12 de dezembro de 2010
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zorro eu te adoro e antonio bandeiras meu nome e Danton Baltar Varao e eu queria ganhar uma capa,um chicote,uma roupa,uma espada e uma faca do zorro se voce puder realisar o meu sonho eu irei agradeçer a voçe , Antonio Bandeiras .muito obrigaado , DANTON BALTAR VARAO eu moro em PATY DO ALFERES no bairro ESPERANÇA minha rua e FRANCISCO TOSTES na subida da capela.


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