Ter, 01 de Setembro de 2009 13:27   
Miudezas

Cavucar material inédito para a coluna é sempre uma canseira, porém canseira gostosa porque, além dos causos propriamente ditos, com começo, meio e fim, frequentemente me aparecem umas miudezas que vou colecionando para publicar num pacote único. São pequenas situações engraçadas, pitorescas ou mesmo absurdas. Coisas que ouço, vejo, leio ou me contam. Como, por exemplo...

O garçom Sabará, sobre a pior briga que teve que apartar em 20 anos de Praia da Costa: “O freguês descobriu a traição da mulher e veio enxaguar as mágoas no bar. Chegou quieto, tristonho, sentou numa mesa nos fundos e desandou a beber. Beber e chorar. Era tocar uma música melosa prum rio de lágrimas o inundar. Lógico que todos no bar viam a cena, só que viam fingindo não ver, em respeito ao sofrimento do rapaz. Mas aí a cantora fez um intervalo e, cheio de boas intenções, um bêbado chapadão se apropriou do microfone: ‘Ei, você aí no fundo, vê se larga de choradeira. Não vale a pena. E vou te dizer por que não vale a pena. O homem tem que ter chifre! Homem sem chifre, estimado corno, é um animal indefeso!”

Alguém contou pro Rommel Puppin (meu colegão e grande dentista), que me recontou enquanto partilhávamos o capucchino quentinho do Café do Brá. Embora pareça piada, é verdade, gente, verdade verdadeira, quem duvidar pode ir lá conferir. Na segunda quadra do primeiro beco da Luciano das Neves, sentido Centro-Itapuã, tem um sobradinho amarelo-cagão em cujo térreo funciona um pequeno e discreto salão de beleza, tão discreto que nem nome tem, apenas uma plaquinha com a insólita inscrição “Corto cabelo e pinto”.

Meu amigo Jonair, porteiro na Diógenes Malacarne, passava pelo ponto do Colégio Marista quando um homem com jeitão de capiau do interior o parou para perguntar se sabia o ônibus para a rodoviária de Vitória. Jonair sabia: “É o 500”. Duas horas após dar a informação, Jonair tornou a passar pelo Marista, dando com o homem ainda no ponto. “Por que o senhor não pegou o 500?” “Pruquê inda não passô, uai!” “Pois eu acho que passou e o senhor perdeu”. “Perdi nada! Tô contando dereitinho. Ó, esse que cabô de passá é o 57, antão o que lá evem há de ser o 58. Pro 500 inda farta um tantão!”

Essa eu vi, ninguém me contou não. Em maio passado, entrei numa agência bancária da Champagnat. Ainda tentava me orientar no meio do povaréu que se acotovelava feito barata tonta no saguão lotado, quando uma funcionária com cara de mandona bateu palmas e avisou: “Quem for normal, por favor, saia da fila do Caixa 1, que é exclusivo para atendimento de idosos! Re-pe-tin-do. O Caixa 1 é só para pessoas idosas, não para pessoas normais!”

Primo Marlon comprou uma geladeira nova e, coração generoso, decidiu dar para alguém a geladeira velha, colocando-a na calçada de casa com o cartaz "Quem quiser pode levar. Estou dando de graça.” Três dias depois a geladeira continuava no mesmo lugar. Marlon pensou, pensou e deduziu que ninguém acreditava na oferta porque ela parecia boa demais para ser verdade. Então trocou o cartaz: "Vendo por 150 reais”. Não deu outra. Na mesma noite roubaram a geladeira!

Quem me contou esse episódio foi o saudoso Padre Victor Burns. Segundo ele, na procissão da Penha de 1972 os carregadores do andor tropeçaram e a imagem de Nossa Senhora ficou virada de banda, meio torta para um lado. Vendo aquilo, o padre que comandava a procissão gritou: “Vira Nossa Senhora aí, gente!” O povo entendeu errado e respondeu em coro: “Viva!” O padre insistiu: “Vira Nossa Senhora aí, gente!” E o povo, de novo: “Viva!” Mais uma vez e outra e outra até o final da procissão.

Para não me acusarem de parcialidade religiosa, se conto uma de padre preciso contar também uma de pastor. Num templo da rodovia Carlos Lindenberg, o pastor anuncia aos fiéis que mais uma cura acontece durante o culto: “O Senhor está curando agora uma mulher que tem câncer de próstata!” Uma senhora ergue a mão: “Pastor, nós não temos próstata!” O pastor não titubeia: “Então oremos ao Senhor para que Ele conceda próstata a todas as mulheres que não têm!”

Dia de prova numa famosa universidade de Vila Velha. Uma questão pede uma análise sobre a importância econômica do Vale do Paraíba. Resposta de uma aluna: "O Vale do Paraíba é muito importante para equilibrar a economia familiar dos Paraíba, que de modo geral ganham pouco dinheiro trabalhando na construção civil ou na portaria dos prédios. Se tem Vale Transporte e tem Vale Refeição é justo ter também Vale do Paraíba!”

Melhor nem perguntar a cor dos cabelos da aluna, né, gente? Té a próxima!

Comentários [0]:

Deixe seu Comentário:
Campo menor | Campo maior

security image
Digite os caracteres mostrados acima


busy