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O pesquisador Jair Santos, um dos maiores conhecedores da história de Vila Velha, acaba de divulgar a descoberta de um documento de 1771, comprovando a existência de restos mortais de dois santos católicos, São Liberato e São Colombo, na Pedra d´Ara do altar da Igreja do Rosário, na Prainha. Existem muitas relíquias assim, espalhadas pelo mundo, mas nem todas são autênticas, atestadas, como as nossas, pelo cartório eclesial do Vaticano. Alguns anos atrás descobri, em um sebo no centro do Rio de Janeiro, um grosso volume intitulado “Anuário Lusitano de 1910”, que, entre outras curiosidades da época, registra o acervo de uma certa “Exposição Itinerante de Relíquias Sagradas”. A maior parte dos itens são absurdamente hilários.
– Porção de palha da manjedoura onde nasceu o Menino Jesus.
– Raspa de sal da canela direita da estátua da mulher de Ló.
– Unha do dedo incrédulo de São Tomé, cortada no dia que ele tocou as chagas de Cristo.
– Um casal de minhocas mumificadas, passageiras da Arca de Noé.
– Pena do galo que cantou três vezes anunciando a traição de Pedro.
– Guardanapo de pergaminho recolhido no banheiro do palácio de Herodes Antipas com a marca de batom da boca de Salomé.
– Placa de cedro, com inscrição em aramaico, grego e latim, anunciando os preços da carpintaria de São José, em Nazaré.
– Guardanapo de pergaminho com a marca de batom da boca de Salomé.
– Tubo de uma das trombetas que fizeram cair as muralhas de Jericó.
– Ferradura de bronze do cavalo de São Jorge.
– Cacos de um vitral do templo de Jerusalém, quebrado enquanto Jesus expulsava os vendilhões.
– Envelope da Carta de São Paulo aos Romanos, com o carimbo original do Correio Imperial de Roma.
– Torrão de terra emplastado com o sêmen de Onan, acompanhado pelo aviso: não tenham nojo, o sêmen está petrificado há mais de 3.000 anos.
– Urna de argila com estrume do burrico que conduziu a Sagrada Família ao exílio no Egito.
– Ampola de vidro, lacrada, contendo uma porção de cal viva, utilizada nos sepulcros os fariseus.
– Dois chumaços de cabelo da Virgem Maria. Um de cabelos pretos, quando ela era jovem. Outro de cabelos brancos, quando era velhinha.
– Fragmento autêntico e milagroso da cruz de Cristo. Toda sexta-feira da Paixão, às três horas da tarde, nasce nele um cogumelo branco estampado com a efígie do Salvador, perfeitamente visível por todos que tiverem a alma limpa, sem pecados a esconder.
A magnífica coleção de “relíquias” percorreu o interior de Portugal com grande sucesso (e lucro), chegando a permanecer dois meses exposta num subúrbio de Lisboa, até a polícia desconfiar e prender o espertalhão que bolou a coisa, um certo João Cunha, vulgo João Brasileiro. Ao ser interrogado, adivinhe o leitor que lugar ele deu como seu local de nascimento? Uma cidadezinha chamada Vila Velha, na Província do Espírito Santo, Brasil!
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