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Lá vem o Ano Novo de novo! Tudo aquilo que é recente consegue empolgar, afinal cria coisas novas, muda valores caducos, gera esperanças viçosas, gasta sofrimentos enraizados, impulsionando tudo o que é antigo. Mas aquilo que é antigo é a base para o novo.
Estamos na virada do ano. Enquanto preparam os quitutes de logo mais a noite, duas senhoras fazem elucubrações mentais. Diz uma delas: Eu tenho quase certeza de que irei ganhar um liquidificador do meu Amigo X. Que bom! Agora posso fazer minha vitamina natural, batendo frutas e cereais, antes de ir para minha academia, pela manhã.
Talvez essa senhora não perceba, mas essa prosaica atitude serve de exemplo para os pequenos erros que cometemos durante a vida: Na busca de obter resultados fáceis, ela está atrapalhando o serviço da saliva e do peristaltismo, na boca e no esôfago, durante a digestão. Cereais e frutas, batidos no liquidificador, ao invés de serem mastigados ou chupados, interferem no processamento da saliva e da boca, lançando celulose e mucilagens no estômago e logo no intestino, sem aviso prévio. A conseqüência disso é uma brutal produção de gases e distensão abdominal.
Festa de fim de ano é sempre a mesma coisa: Todo mundo com pressa para se divertir. Bom seria se o Menino Jesus nos aliviasse dessa canseira de ser feliz de maneira programada. Quem tem medo da infelicidade nunca chega a ser feliz.
Qualquer singelo amor que a gente possa receber e dar, qualquer alegria que a gente possa receber ou fornecer, qualquer pequeno gesto gentil, qualquer coisa que, simplesmente, funcione; isso é o mais importante. Não devemos nos enganar: Nem tudo depende da genialidade humana. Grande parte da existência é mais simples do que gostaríamos de admitir. O mais importante é não complicar. Somos donos do Tempo apenas quando o Tempo se esquece de nós.
Virada de ano e lá está o ser humano, com seus olhos de coruja, fitando a contagem regressiva do Tempo. Eu não quero como ela, ver de noite. Eu quero ver a noite...
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