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Até 2003 eu pensava que toda hérnia de disco provocasse dor, dores intensas como aquelas referidas nos livros e nos relatos dos meus professores durante os 5 anos de estudos que passei na UNESP de Presidente Prudente SP até 1992 quando me graduei em Fisioterapia, mas não foi bem assim que aconteceu com uma mulher de 23 anos que após ter procurado o hospital que seu pai trabalhava como médico, para tentar descobrir por que suas pernas estavam tão fracas, que quase não conseguiam mais sustentar seu peso, era obrigada a andar como um robô, sem poder dobrar os joelhos para evitar quedas, pois se os dobrasse um pouquinho ia para o chão.
Um ano após ter feito a cirurgia da hérnia de disco, ter sofrido trombose nas duas pernas e tido necrose dos calcâneos (ossos do calcanhar) dos dois pés, continuava sem poder dobrar os joelhos devido a excessiva fraqueza muscular.
Seu relato foi de nunca ter sentido qualquer dor, fato que mudou a partir do momento que manipulei sua coluna, pois durante a avaliação sentiu uma dor muito sutil na região lombar onde fez a cirurgia, mas não passou disso, iniciou o tratamento e após 10 dias começou a sentir dores intensas que a faziam chorar de dor, estas dores perduraram 30 dias até que cessaram e a partir de então, passou a melhorar o controle da musculatura dos membros inferiores (do quadril até os pés) e após 6 meses de tratamento já podia andar dobrando os joelhos, sem dores, com muito mais força nos músculos.
A partir desse caso, passei a avaliar de forma muito diferente a todos aqueles que me procuram para tratamento dos mais diversos problemas de saúde e o que encontro na maioria das pessoas, são alterações da sensibilidade e controle motor.
Pessoas como um paciente que teve lesão do plexo braquial D (direito) após uma queda sobre o ombro D, perdeu toda força para levantar o braço D, este somente afastava cerca de 30 cm do quadril, e segundo os médicos que o avaliaram, seria um caso irreversível, pois nem uma cirurgia resolveria a lesão do nervo que comunica o cérebro ao braço.
Este foi um dos casos mais significativos de perda de sensibilidade e força que já tratei, a musculatura de sustentação do ombro estava totalmente atrofiada e por mais que eu estimulasse não percebia o toque ou esboçava qualquer reação muscular.
Hoje, após três anos de tratamento seu braço já recuperou praticamente todos os movimentos, estando com muito mais força e controle muscular, mas o mais interessante é que atualmente está sentindo dor onde estimulo, e somente nos pontos onde sente dor é que seus músculos estão reagindo e hipertrofiando, pois ao voltar a sentir dor que é uma sensação viva, conecta o sistema nervoso que estava inativo possibilitando novamente o controle do cérebro sobre os músculos através dos nervos pelos quais ele sente dor no momento da estimulação.
A partir dessas experiências, penso na dor como mais uma das alterações de sensibilidade causada por distorção da condução de estímulos do corpo para o cérebro, que podemos exemplificar através daquela brincadeira que no Paraná é chamada de “telefone sem fio”, quando num círculo algum dos integrantes fala uma frase para o colega da D que reproduz para o que está ao lado e a mensagem sofre algumas alterações e chega diferente para quem iniciou.
Com os nervos acontece algo semelhante, toda inflamação em uma ou várias partes do nervo pode alterar os estímulos sensitivos, levando o cérebro a interpretar as sensações como: queimação, ardência, fisgada, agulhada, coceira persistente e dor, agudas e crônicas, por vezes muito desagradáveis, provocadas por alteração da forma e função dos nervos na condução dos estímulos do corpo para o cérebro. O cérebro recebe, processa e envia a resposta também através dos nervos para controlar todo o organismo, mas se estes estão inflamados provocam mais distorções e o resultado são os desequilíbrios que chamamos de doenças.
A medida que o estresse causado pelas condições existentes no meio em que vivemos e pela forma que agimos diante de cada situação cotidiana, onde muitas vezes, por engolir sapos ou por sermos perfeccionistas, vamos nos contrair com maior ou menor intensidade e quando são os músculos de sustentação da coluna vertebral que encolhem, aproximam as vértebras que apertam os nervos, provocando dor.
Mas, se por um lado contrair o corpo pode causar agressão e interferência na comunicação neural, por outro lado, podemos praticar atividades que levem ao relaxamento das tensões e a recuperação do sistema nervoso para que haja o reequilíbrio corporal. Estimular os nervos é uma forma bastante eficaz para facilitar o controle do cérebro sobre todo organismo e reduzir a intensidade e a freqüência das sensações desconfortáveis.
Propiciar a normalização da sensibilidade e o correto aumento de controle e força muscular, só é possível através de movimentos lentos e conscientes para que o cérebro tenha tempo de perceber que músculos estão contraindo e quais estão sendo alongados em cada segmento corporal para que todo o organismo funcione harmonicamente nas mais diversas atividades humanas, principalmente quando realizamos tarefas que não fazem parte de nossa rotina diária e para as quais nosso corpo não está adaptado.
Para finalizar, outro caso que estamos obtendo sucesso é o de uma mulher que teve paralisia infantil aos 08 meses e voltou a ter força e sensibilidade, inclusive dor, na perna e pé direito, após 73 anos de total anestesia.
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