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Após muita discussão e pedidos, a AMPC conseguiu ser ouvida. A Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, por meio do seu presidente, deputado Sandro Locutor, convocou a todos para uma Audiência Pública. O tema era o despejo dos resíduos da dragagem dos portos de Vitoria e Tubarão.
A audiência, realizada na Câmara Municipal de Vila Velha no dia 09 de maio, contou com a presença de vários parlamentares municipais, estaduais e aproximadamente 200 cidadãos. Mas lamentavelmente o Ministério Público Estadual e Federal não compareceram ao encontro. Os órgãos, que são fiscais das leis e que representam a população, não se fizeram presentes em uma audiência tão importante para a comunidade. Os moradores perderam uma grande oportunidade de saber o que pensam estas autoridades a respeito dos sedimentos contaminados que estão sendo despejados em frente às nossas praias.
No transcorrer das apresentações da VALE, IEMA, CODESA e da Associação dos Moradores da Praia da Costa (AMPC), ficou demonstrado que a VALE ao distribuir folder afirmando que o bota-fora está sendo feito a uma distância de 15 km da costa não está dizendo a verdade ou, no mínimo, induz o cidadão a acreditar que o despejo está sendo feito longe das praias de Vila Velha. A distância é de apenas 9,5 km de nossa orla. Fato que provoca insegurança para os moradores do município.
No encontro o IEMA assumiu de público que há danos ambientais, mas que estava tudo dentro da lei. Os presentes que estavam ali em busca de segurança saíram mais preocupados e cobram dos poderes constituídos respostas convincentes porque sentem que os danos ambientais causarão impacto negativo na fauna e flora marinha e danos ao município de Vila Velha. Segundo especialistas, o despejo dos resíduos vai tornar as nossas praias impróprias para o banho, prejudicando o comércio, a indústria hoteleira, o desenvolvimento do turismo e o lazer da população.
Por diversas vezes o Jornal Praia da Costa noticiou o problema. Especialistas de várias áreas garantiram que os prejuízos virão, mesmo que a Vale diga o contrário. O que os moradores desejam é simples: que os sedimentos sejam despejados em outra área. Por que esses sedimentos vão para a nossa orla?
Uma alternativa indicada seria a construção da Unidade de Disposição Confinada (UDC). O recurso é utilizado nas obras de recuperação da Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro, e possibilita o confinamento da lama, impedindo a vazão dos resíduos para o mar e posterior aproveitamento para aterro e tratamento paisagístico.
A segunda proposta apresentada pela AMPC trata de uma técnica batizada de Geotubes, onde o processo de encapsulamento do material contaminado é feito em bolsas de polipropileno gigantes, resistentes a degradação química e biológica, que promove a separação da parte sólida e líquida, possibilitando a secagem e desidratação dos sedimentos. Posteriormente, este resíduo pode ser utilizado na construção de quebra-mares e em situações de erosão costeira.
Uma terceira alternativa é pioneira e vem sendo desenvolvida na dragagem do Porto de Rio Grande do Sul. Prevê a utilização do material da dragagem para geração de energia elétrica a partir das grandes quantidades de ferro e enxofre contidas nos sedimentos.
Diretoria AMPC
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